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A vida hoje

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Este é um blog de assuntos gerais e pessoais, revolta explícita, desejos irrepresentáveis, ódios demoníacos, pura euforia, arrepios, tpm, confabulações, autismos e afins...





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Amor é bicho instruído

Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã

Drummond




















 

Terça-feira, Abril 27, 2004

 
...continuação de "Eu podia dormir sem essa..."

Acabei de me ferrar de novo numa prova de Bioquímica, pra variar... Só que desta vez foi pior porque a prova tava ridícula de fácil. Toda questão que eu lia eu pensava: " Tá muito fácil.... mas mesmo assim eu não vou lembrar..." Que pena, justo agora que eu tinha começado a gostar. Mas fui eu que viajei e perdi a monitoria de hoje. Pensei que fosse a tarde e tinha sido de manhã... Tudo teria sido diferente... Enfim... Faz mal não...
Pra compensar vou ficar viajando um pouco em como poderia ser a minha vida se não fosse assim como é agora...


Ah, se...

...Eu tivesse grana pra jantar no japonês hoje...
...Amanhã eu acordasse já com alguns quilinhos a menos...
...Eu tivesse um motorista particular pra me levar onde eu quisesse, na hora que eu quisesse...
...Meu cachorro soubesse atender o telefone...
...A minha prova de bioquímica fosse amanhã...
...A minha mãe não fosse desse jeito...
...Chocolate não engordasse...
...Eu soubesse cantar...
...Eu soubesse dançar...
...Eu soubesse tocar...
...Eu soubesse nadar, andar de skate ou surfar...
...Eu tivesse olhos azuis...
...Eu tivesse a cara de pau que a Maíra tem...
...Eu fosse tão louca quanto meus amigos piscianos...
...Eu fosse tão apaixonante quanto os cancerianos...
...Não tivesse problema trocar a noite pelo dia...
...Já fosse meu aniversário...
...As férias estivessem chegando...
...Eu ganhasse na loteria...
...Eu ganhesse uma passagem, visto permanente, emprego e moradia na Thailândia...
...A Nathália não tivesse morrido...
...A Catuxa voltasse dos mortos...
...Eu chegasse em casa agora e encontrasse um pavê de chocolate no freezer...
...O Wanderson fosse professor de Literatura...
...Eu jogasse basquete...
...Freud fosse meu tio...
...Fluoxetina desse em árvore...
...Deus me fizesse uma visita pessoalmente...


Blá... Quanta bobagem...
Agora já posso voltar à minha realidade sem graça...






mas pode falar, se quiser.

 
Só na correria...


Hoje é aniversário do Clóvis!!!!


PARABÉNS!!!!


Eu amo você, meu queridíssimo, necessário, imprescindível e valiosíssimo amigo!!!!


Cadê você? A gente tem que comemorar de novo!!!!



mas pode falar, se quiser.

Quarta-feira, Abril 21, 2004

 
Descobri que não tem GIRAFA no jogo do bicho.
Então eu joguei 1 real na cobra e no avestruz, afinal os dois têm pescoção.

Perdi mais 1 real.




mas pode falar, se quiser.

Terça-feira, Abril 20, 2004

 
Eu podia dormir sem essa...

Depois de um dia estranho e de uma aula de anatomia tranqüila, eu passei na enfermaria doida por duas neosaldinas (onde só ganhei uma, por causa das "normas") e fui pra sala 01 com a minha dor de cabeça, pra ver mais uma aula de bioquímica na qual, como eu já sabia, eu não entenderia nada como sempre. Sabe-se lá o que eu consegui pensar enquanto aquele ser inteligentíssimo explicava, e com uma cara ótima, todo aquele universo de nomes, letras, números e reações que meu cérebro não decodifica de jeito nenhum.

No fim da aula, esperei que todos terminassem suas perguntas sobre o ciclo do ácido cítrico e fiquei pra trás só para contar ao professor que eu tinha descoberto por acaso na internet, que os nomes das pessoas da sua família eram, digamos, engraçados... Deu pra rir um pouco. Pura falta do que fazer.
Ainda falando em internet, contei que o nome dele também estava no meu blog, no meio das reclamações. E fui explicar porque...
Dei uma de aluna chata e fui conversando com o professor até a sala dele, já que éramos os últimos. No meio do caminho eu tive a coragem de perguntar pra ele (que tem só 28 anos e já é doutor em bioquímica) se estudar "aquilo" lhe dava algum prazer (pouco dispensável, a pergunta, né?) além disso, ainda falei uma bobagem qualquer sobre as mitocôndrias e resultado disso tudo foi um
"-Que pena..." , com uma cara séria e um ar de desprezo, que me fez sentir um smurf, na hora.
É claro, eu quis morrer.
Como se não bastasse, ele ainda teve a presença de espírito de gastar seu precioso tempo me explicando que até as diferenças entre uma paixão longa e uma efêmera podiam ser analisadas bioquimicamente. (Mal sabe ele as situações que eu já imaginei poderem ser analisadas bioquimicamente, conversei sobre isso durante horas com a Talita, esses dias) Novamente, eu quis sumir. *suspiro*
Só Deus sabe o quanto eu quis, naquele momento, que o Wanderson (ah, o nome dele é Wanderson) fosse só um velho amigo e que estivesse disposto a tomar uma cerveja enquanto me contava tudo que ele sabia sobre aquilo. Mas não. Era só um professor (a um abismo de distância, como todo professor) diante de uma aluna bobinha e preguiçosa.

Verdade seja dita: eu tô numa preguiça dos diabos com aquela faculdade fajuta (que tem a coragem de confinar seus alunos num pavilhão chamado carinhosamente de "carandiru" que não tem sequer um telefone público). É uma pena, porque não tenho sentido a menor motivação para estudar esse semestre, aliás, desconheço alguém que tenha, pra falar a verdade... No semestre passado, eu viajava horas com a Milana, estudando microbiologia... Agora, nem a Milana eu tenho mais. Enfim... Queimei meu filme a tôa.
Agora, da próxima vez que eu quiser fazer graça pro professor, é melhor eu estudar um mês de "Lehninger"antes, pra ver se eu não falo besteira. Diga-se de passagem, tem exatamente um mês que eu tô andando com "os princípios da bioquímica" debaixo do braço (975 páginas, capa dura) como se o conteúdo do livro fosse passar para a minha cabeça por osmose, já consegui uma dor nas costas e provavelmente não conseguiria nem a média numa prova. Blá.

Pra completar o desastre, saí tão atordoada da faculdade que ainda levei um tempo pra perceber que o meu especial já tinha passado e me deixado pra trás. Sem nenhuma possibilidade de carona, nem de um mototaxi, sentei no passeio pra esperar pelo menos por uma idéia e acabei ganhando uma supercarona de uma van que tava indo pra Sabará, ficou com pena e resolveu me deixar em casa.

Neste momento, eu só queria saber quais são as reações químicas do meu organismo que permitem que as bobagens sejam ditas assim tão facilmente, pra ver se eu consigo achar um remédio que iniba isso rápido, antes que eu mesma desista do meu cérebro.
Perdi uma oportunidade perfeita de ficar calada... Ai, que vergonha...




mas pode falar, se quiser.

Domingo, Abril 18, 2004

 
ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!
Eu sonhei com o Chico Buarque!!



Foi incrível!! Foi maravilhoso! Foi muito estranho...
Ah, não... Contar sonho é muito esquisito, mas esse eu vou ter que contar:

Eu estava com a minha família numa casa de uma cidadezinha do interior qualquer, com ruazinhas estreitinhas e muros brancos. Estávamos fazendo um dos nossos tradicionais churrascos de fim de semana, até que eu resolvi sair sozinha dessa casa e ir andando pelas ruazinhas com um pedaço enorme de carne na mão, que era muito grande para ser uma coxa de galinha ou de peru, mas pequeno para ser de pernil, sei lá, a carne estava presa a um osso de um palmo mais ou menos, grosso e muito gorduroso.
Saí pelas ruas comendo essa carne até entrar num galpão cheio de móveis amontoados, escuro e abandonado. Lá estava o Chico Buarque, sozinho, na penumbra, sentado num sofá. No momento em que eu o descobri lá, eu estava na porta do galpão esperando algum bicho passar pela rua para que eu pudesse dar o osso, assim que a carne acabasse. Mas nem dei importancia para a presença do Chico porque, nesse instante, uma GIRAFA se a proximou do galpão querendo o osso que estava na minha mão. Com medo, fechei rápido o portão de grades cinzas do galpão, corri para os fundos e pulei por cima de um guarda-roupas que dividia o galpão em dois, impedindo a passagem. Mas ela entrou assim mesmo e estendeu o pescoção na minha direção. Eu não tinha dado a ela o osso (com a carne que eu ainda não tinha terminado de devorar) porque sabia que girafas não comem carne, mas diante da situação joguei aquilo, mesmo sabendo que ela não podia ir adiante para me fazer fazer mal, pois estava impedida pelo guarda-roupas.
Nesse momento, pensei na possibilidade de montar na girafa, pois ela me parecia calma, ou que poderia pelo menos sair do meu esconderijo, mas tive medo de me arrenpender depois e continuei lá esperando para ver o que ela faria.
Ela mascou uma pouco da carne caída e depois ficou passando a boca no chão como se tivesse comido uma coisa terrível e quisesse, de alguma forma, se livrar daquele gosto.
Foi então que o Chico Buarque veio ao meu encontro. Atenção: ELE veio ao meu encontro. Só então me dei conta da grandeza da situação, pois eu tinha passado antes por ele, como passaria diante de qualquer outro.
Ele veio todo.... todo ele mesmo. Todo maravilhoso e sedutor pra falar comigo, mas eu não consigo me lembrar de nada que ele falou, apenas de alguns gestos. Não me lembro também se a coisa tinha uma lógica, ou um porquê, mas sei que a girafa nunca mais voltou a aparecer.
Aparecemos então, eu e o Chico Buarque, já fora do galpão, em cima de um muro branco. Eu com a cabeça nas costas dele vestidas com uma camisa verde, enquanto ele falava coisas que eu não ouvia, pois estava ocupada pensando em tudo aquilo que eu pensaria se a situação fosse real. Mas eu não disse nada. O que resultou disso foi um beijo selinho e uma pose de durona, porque (creiam) ele tava investindo pesado mesmo! (E no sonho eu tava agindo como se fosse normal ).
Decidimos voltar juntos para a casa onde minha família estava fazendo o churrasco, mas já não tinha ninguém lá. Então tive que pular a janela. (Nessa hora aconteceram coisas que, definitivamente, por mais que eu tentasse, não conseguiria descrever.)
Enfim, quando terminei de pular a janela, já não era a casa mais, era um bar todo aberto, cuja única parede era aquela com a janela que a gente tinha acabado de pular. Meu pai e o Xisto estavam lá jogando sinuca.
Foi então que um celular tocou e eu acordei, achando que era o meu.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!! O sonho mais lindo que eu já tive na vida foi interrompido por um toque de celular!!!!!!!!!!!!!! E depois eu fui descobrir que era a Telemig Celular me enviando uma mensagem para informar que a validade dos meus créditos está acabando!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!! Que óóóóóódio mortal!!!
Eu perdi a única oportunidade da minha vida de tomar uma cerveja com o Chico Buarque!!!!! Eu odeio a Telemig Celular!!!AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!
Mesmo assim acordei toda sorrisos, soltei meu cachorro, passeei pela casa toda contente ainda meio dormindo, mas num bom humor só.
Agora... Aquela coisa da girafa.... Por favor, algum psicólogo pode me dizer algo a respeito disso? Enquanto isso não acontece, vou lá em baixo jogar no bicho agora. Será que tem girafa no jogo do bicho?



mas pode falar, se quiser.

Sexta-feira, Abril 16, 2004

 
Mais uma ariana enlouquecida...


PARABÉNS, BEBEL!!!!!






mas pode falar, se quiser.

Quinta-feira, Abril 15, 2004

 
Querida Natália,
muito obrigada pelos anos de lealdade, carinho e proteção. Eu nunca me esquecerei de você.Tomara que continue feliz, amavél e bobona como sempre foi, esteja onde estiver. Todos nós da família sentimos muito a sua perda. Tenho muita saudade da minha cachorrona estabanada, tanto que até dói. Você estará sempre no meu coração. Eu te amo...

Ai, que saudade...





mas pode falar, se quiser.

Quarta-feira, Abril 14, 2004

 
Hoje é o aniversário de três gerações de arianas enlouquecidas:


Parabéns, Mãe, pelos seus 48, tão vencedora e tão gostosona!!!






Parabéns, Julia, pelos seus 20, tão linda e tão sonhadora!!!






Parabéns, Iarinha, pelos seus 7, tão levada e tão inteligente!!!







mas pode falar, se quiser.

Segunda-feira, Abril 12, 2004

 
Esta é uma homenagem póstuma à minha querida e sempre fiel amiga Natália, que faleceu de forma trágica, lenta e sem explicação no dia 1º de abril desse ano, para a tristeza de todos, principalmente de sua irmã, Morena, que está inconsolável.


História de um cão


Eu tive um cão. Chamava-se Veludo:

Magro, asqueroso, revoltante, imundo,

Para dizer numa só palavra tudo

Foi o mais feio cão que houve no mundo



Recebi-o das mãos dum camarada.

Na hora da partida, o cão gemendo

Não me queria acompanhar por nada:

Enfim - mau grado seu - o vim trazendo.



O meu amigo cabisbaixo, mudo,

Olhava-o ... o sol nas ondas se abismava....

«Adeus!» - me disse,- e ao afagar Veludo

Nos olhos seus o pranto borbulhava.



«Trata-o bem. Verás como rasteiro

Te indicarás os mais sutís perigos;

Adeus! E que este amigo verdadeiro

Te console no mundo ermo de amigos.»



Veludo a custo habituou-se à vida

Que o destino de novo lhe escolhera;

Sua rugosa pálpebra sentida

Chorava o antigo dono que perdera.



Nas longas noites de luar brilhante,

Febril, convulso, trêmulo, agitado

A sua cauda - caminhava errante

A luz da lua - tristemente uivando



Toussenel: Figuier e a lista imensa

Dos modernos zoológicos doutores

Dizem que o cão é um animal que pensa:

Talvez tenham razão estes senhores.



Lembro-me ainda. Trouxe-me o correio,

Cinco meses depois, do meu amigo

Um envelope fartamente cheio:

Era uma carta. Carta! era um artigo



Contendo a narração miuda e exata

Da travessia. Dava-me importantes

Notícias do Brasil e de La Plata,

Falava em rios, árvores gigantes:



Gabava o steamer que o levou; dizia

Que ia tentar inúmeras empresas:

Contava-me também que a bordo havia

Mulheres joviais - todas francesas.



Assombrava-me muito da ligeira

Moralidade que encontrou a bordo:

Citava o caso d´uma passageira...

Mil coisas mais de que me não recordo.



Finalmente, por baixo disso tudo

Em nota breve do melhor cursivo

Recomendava o pobre do Veludo

Pedindo a Deus que o conservasse vivo.



Enquanto eu lia, o cão tranquilo e atento

Me contemplava, e - creia que é verdade,

Vi, comovido, vi nesse momento

Seus olhos gotejarem de saudade.



Depois lambeu-me as mãos humildemente,

Estendeu-se a meus pés silencioso

Movendo a cauda, - e adormeceu contente

Farto d´um puro e satisfeito gozo.



Passou-se o tempo. Finalmente um dia

Vi-me livre daquele companheiro;

Para nada Veludo me servia,

Dei-o à mulher d´um velho carvoeiro.



E respirei! «Graças a Deus! Já posso»

Dizia eu «viver neste bom mundo

Sem ter que dar diariamente um osso

A um bicho vil, a um feio cão imundo».



Gosto dos animais, porém prefiro

A essa raça baixa e aduladora

Um alazão inglês, de sela ou tiro,

Ou uma gata branca sismadora.



Mal respirei, porém! Quando dormia

E a negra noite amortalhava tudo

Sentí que à minha porta alguem batia:

Fui ver quem era. Abrí. Era Veludo.



Saltou-me às mãos, lambeu-me os pés ganindo,

Farejou toda a casa satisfeito;

E - de cansado - foi rolar dormindo

Como uma pedra, junto do meu leito.



Preguejei furioso. Era execrável

Suportar esse hóspede importuno

Que me seguia como o miserável

Ladrão, ou como um pérfido gatuno.



E resolvi-me enfim. Certo, é custoso

Dizê-lo em alta voz e confessá-lo

Para livrar-me desse cão leproso

Havia um meio só: era matá-lo



Zunia a asa fúnebre dos ventos;

Ao longe o mar na solidão gemendo

Arrebentava em uivos e lamentos...

De instante em instante ia o tufão crescendo.



Chamei Veludo; ele seguia-me. Entanto

A fremente borrasca me arrancava

Dos frios ombros o revolto manto

E a chuva meus cabelos fustigava.



Despertei um barqueiro. Contra o vento,

Contra as ondas coléricas vogamos;

Dava-me força o torvo pensamento:

Peguei num remo - e com furor remamos



Veludo à proa olhava-me choroso

Como o cordeiro no final momento,

Embora! Era fatal! Era forçoso

Livrar-me enfim desse animal nojento.



No largo mar ergui-o nos meus braços

E arremessei-o às ondas de repente...

Ele moveu gemendo os membros lassos

Lutando contra a morte. Era pungente.



Voltei à terra - entrei em casa. O vento

Zunia sempre na amplidão profundo.

E pareceu-me ouvir o atroz lamento

De Veludo nas ondas morimbundo.



Mas ao despir dos ombros meus o manto

Notei - oh grande dor! - haver perdido

Uma relíquia que eu prezava tanto!

Era um cordão de prata: - eu tinha-o unido



Contra o meu coração constantemente

E o conservava no maior recato

Pois minha mãe me dera essa corrente

E, suspenso à corrente, o seu retrato.



Certo caira lém no mar profundo,

No eterno abismo que devora tudo;

E foi o cão, foi esse cão imundo

A causa do meu mal! Ah, se Veludo



Duas vidas tivera - duas vidas

Eu arrancara àquela besta morta

E àquelas vís entranhas corrompidas.

Nisto sentí uivar à minha porta.



Corrí, - abrí... Era Veludo! Arfava:

Estendeu-se a meus pés, - e docemente

Deixou cair da boca que espumava

A medalha suspensa da corrente.



Fôra crível, oh Deus? - Ajoelhado

Junto do cão - estupefato, absorto,

Palpei-lhe o corpo: estava enregelado;

Sacudi-o, chamei-o! Estava morto.



(Luiz Guimarães)




mas pode falar, se quiser.

Quinta-feira, Abril 08, 2004

 
Amanhã eu tô indo pra São Gotardo. Niversário de 50 anos da tia Dêde!!! Vai ser aquela Duartada, de novo!!! Hoje o Juninho chega aqui, com todo ódio que ele tem da cidade, mas chega e chega bravamente e sozinho. Para receber meu priminho querido, tô preparando uma picanha, enquanto a Talita não chega do ensaio. Blá. Esse post ficou parecendo um diário adolescente... Vou parar...

Feliz páscoa!!!

(Que, diga-se de passagem, eu também odeio...)




Eu já vi uma cena dessa ao vivo e em cores, na casa da tia Marilda:
O coelho Joca, não cansava de querer o galinho garnizé que minha vó trouxe de São Gotardo.
É claro que não são esses aí, mas vale a recordação e a curiosiodade afetivo-científica!



mas pode falar, se quiser.

Segunda-feira, Abril 05, 2004

 
Feliz Páscoa, pessoas!!




Problemas de comunicação religiosa


- Papai, o que é Páscoa?

- Ora, Páscoa é ...... bem ..... é uma festa religiosa!

- Igual Natal?

- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na
Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?

- É, ressurreição. Marta, vem cá!

- Sim?

- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu
jornal.

- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o
que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele
ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?

- Mais ou menos ....... .Mamãe, Jesus era um coelho?

- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas!
Coelho!
Jesus Cristo é o Papai do Céu!
Nem parece que esse menino foi batizado!
Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo
menos aos domingos.
Até parece que não lhe demos uma educação cristã!

Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola?
Deus me perdoe!

- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?

- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no
catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

- É sim.

- E Minas Gerais?

- Sacrilégio!!!

- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?

- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é
o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe
entende direito. Mas quando você for no catecismo a professora explica
tudinho!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

- Eu sei lá! É uma tradição.
É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.

- Coelho bota ovo?

- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!

- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era, era melhor, ou então urubu.

- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia que ele
morreu?

- Isso eu sei: na sexta-feira santa.

- Que dia e que mês?

- ??????? Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu
na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de
aleluia.

- Um dia depois.

- Não, três dias.

- Então morreu na quarta-feira.

- Não, morreu na sexta-feira santa ....... ou terá sido na quarta-feira
de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e
ressuscitou no sábado, três dias depois! Como? Pergunte à sua professora
de catecismo!

- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?

- É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do
Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no sábado?

- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!

- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?

- É, boa pergunta.
Filho, atende o telefone pro papai.
Se for um tal de Rogério diz que eu saí.

- Alô, quem fala?

- Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?

- Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau.

- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba sim, por quê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo
Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?


- Coitada!

- Coitada de quem?

- Da sua professora de catecismo!!!


(Luiz Fernado Veríssimo)



Acho que tem muita coisa do Veríssimo no meu blog, pro meu gosto....
Eu gosto dele, mas essa cronicazinha aí, eu pus por causa da páscoa, porque eu achei que o final podia ter sido mais engraçadinho. Blá. Quem sou eu pra falar isso, né? Mas foda-se, eu falei.


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Ah! E por falar em "foda-se"...

A páscoa tá chegando os chocolates vêm aí, mas já tá passando de hora de eu desligar o meu "botão do foda-se", que está ligado no último desde o comecinho do ano e fazer um regime urgentemente!!!
Pelamordedeus, alguém aí sabe como é que se deliga isso???????



mas pode falar, se quiser.

Domingo, Abril 04, 2004

 
Para abrir a cachola, saborear e se divertir:








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Dia 4, no domingo mais ensolarado do ano, eu fui ver o Paulo atravessar a nado, a Lagoa dos Ingleses. Correção: tentar atravessar. Acordei às 6:00, arrependidíssima da hora em que fomos dormir. Ganhamos uma carona na porta da academia e cheguei apagada àquele lugar quase de plástico, de tão perfeito, no meio de Alphaville. Depois que o Paulo tirou a roupa, alongou, bla, bla...e se atirou na água, eu fui rapidamente a procura de um lugarzinho sossegado, em meio às madames e seus cachorrinhos de madame, para esticar e tirar um cochilo, afinal, nadar 3 mil metros numa lagoa, sem experiência nenhuma, levaria algum tempo, o suficiente ,talvez, para eu repor as minhas energias. Fui acordada 34 minutos depois com a comemoração da chegada do primeiro nadador. Nem preocupei em sair do lugar. Só levantei de trás daquela Kombi, única sombra disponível naquele lugar, bem depois, quando já tinha dormido o suficiente e já tava começando a ficar com vergonha de dormir na grama dos grã-finos. Fui passear e ,de repente, encontrei o Paulo todo sequinho e sossegado, comendo uma banana. Bateu até um sentimento de culpa, de não ter botado tanta fé no menino:
"- Já chegou?!!!!"
"-Já, cê acredita!!"
"-Parabéns, parabéns, parabéns!!!"
"-Mas eu cheguei de barco..."
"-Hãn?..."
Ele nadou menos de 1km e desistiu. Um babaca que tava num barco falou pra ele desistir, se ele não tivesse aguentando, só por causa de uns litrinhos d´agua engolidos e pelo fato dele estar nadando cachorrinho de costas. Fiquei com ódio desse cara que não tem um pingo de psicologia esportiva. Mas tudo bem. Valeu o passeio fora da realidade.
Dormi a trade toda desse dia.
De noite eu tava doida por uma festa normal, de gente normal...
Festa arranjada, resolvemos levar uma amiga nossa em casa antes e pegamos, nada mais, nada menos, que a chuva mais poderosa do ano, no bairro Serra, que depois fui saber que foi o bairro mais destruído da cidade. Uma mulher, no meio da confusão, bateu no carro do Paulo de ré sem perceber por que o carro da figura foi simplesmente arrastado pela água. Não se enxergava nada do lado de fora e o Dentão toda hora sugeria que alguém contasse uma piada. A Laurinha ficou presa bem na porta da casa dela porque era impossível descer naquele rio que quase invadia o carro na hora que a porta abria.Para resumir, foram duas hora naquele desespero, naquela falta de ar, naquele medo de ser arrastada que gerou um ódio demoníaco e uma vontade louca de ir pra minha casa imediatamente e não ver água nunca mais.



mas pode falar, se quiser.

Sexta-feira, Abril 02, 2004

 
A Natália morreu...

Minha cachorrona linda morreu.

Aquele ser mais meigo do mundo, que tinha de doçura o que tinha de tamanho morreu.

Ela era tão carente... E tão grande... E tão boazinha... E tão estabanada...

Que arrependimento de não ter ido pro sítio nesse fim de semana...

Mas como é que eu ia saber, né?...

Ai... Eu tô tão triste...

Que droga...

Morreu, tadinha...

Eu quase...

É só...



mas pode falar, se quiser.



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