Este é um blog de assuntos gerais e pessoais, revolta explícita, desejos irrepresentáveis, ódios demoníacos, pura euforia, arrepios, tpm, confabulações, autismos e afins...
(...)Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã(...)
Drummond
Quinta-feira, Maio 26, 2005
Acho que foi só isso mesmo.
Hoje eu acordei três vezes. Todas três com fortes ruídos produzidos pela minha irmã e seus amigos. Tentei, mas fui incapaz de ficar na cama até que eles fossem embora, eu já tinha cansado de dormir. Saí de lá do quarto a tempo de xingar a possibilidade deles saírem deixando uma baguncinha que fosse pra eu arrumar. Eles fingiram bem. Foi beeem depois que eu achei aquele fogão inundo sob o pano azul e aquela travessa gigante contendo só um tiquinho de macarrão, na geladeira. O Paulo dormiu feliz até as duas e meia da tarde, comeu, me deu uma carona até a locadora e foi embora trabalhar. Passei horas lá pra escolher dois filmes. Voltei pra cá, fiz pipoca, deitei e fui assistir ¿O Pequeno Príncipe¿, aquele mesmo, o que passa sempre na sessão da tarde. ... Eu juro que não lembrava (embora já tivesse lido o livro na infância) que o menino morria no final. Fiquei estarrecida e chorei como uma doida por alguns minutos.
Bem, acho que esta atitude é um indício de TPM e, portanto, normal. Ok?
O que não é normal é eu estar deitada no sofá da minha sala sozinha bem no meio do feriado... Não. Isto não é normal. E tudo por culpa do Paulo, que resolveu que hoje, amanhã e todo o final de semana eram dias de trabalhar! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!
Há duas semanas atrás eu apresentei a porcaria da coreografia de ginástica rítmica, com a música do Tchaicovsky , mas sem o batuque, pois a própria professora me aconselhou a tirá-lo, para isso deixou até que a minha apresentação fosse de apenas 1 minuto. Ótimo, pensei. Um minuto vai passar rapidinho. Porra nenhuma. Eu me ferrei. Pensa comigo: qual é a coisa mais importante da ginástica rítmica? É o RITMO, não é não? Pois é. Eu peguei uma música super-ultra veloz e queria fazer 1 movimento específico por tempo. E como eram vários movimentos específicos e um espaço muuuuito curto de tempo, a coreografia ficou quase impossível de ser executada. Quase não, impossível. Eu ensaiei exaustivamente das 10 da manhã às 9 da noite e não rolou de acompanhar a melodia e além disso adquiri uma dor insuportável na inserção do tendão de Aquiles, por causa da ferrugem. No fim das contas, tive eu mesma que cantar a infeliz da música, enquanto dançava (mancando), um pouco mais lentamente que a orquestra. Isso é claro, depois de chorar de desespero por ter que apresentar alguma coisa, como sempre.
Mas passou, só fiquei de entregar a parte escrita pra professora na terça seguinte, para ter os pontos. Pronto, acabou.
Fui ao médico no dia seguinte para olhar meu tendão que tava doendo horrores e o cara me manda botar gelo no pé, tomar um antiinflamatório e andar de salto, quando fosse andar, mas que era pra ficar o máximo de tempo possível em repouso, o que é claro, não foi feito, com exceção do gelo no pé, que inclusive deve ter ajudado na minha destruição, pouco tempo depois. Comecei a gripar, de leve...
No outro dia, implorei para o Pedrinho vir aqui em casa para me ajudar a fazer uma trilha sonora sobre ¿o processo simbólico¿, que era o trabalho de Produção Editorial que eu tinha que entregar na próxima semana. Ele veio, aí eu cantei a única frase que eu já tinha feito pra ele poder tirar os acordes no violão. Pronto. Foi a única coisa a respeito do trabalho que fizemos. Eu inventei e cantei a frase ¿samba, futebol, verde-amarelo-azul anil e a bunda representam o Brasil¿ e ele tirou as notas no violão. Pra mim, o resto simplesmente ¿viria¿com tempo. E nunca mais pensei neste trabalho.
Então...
BH tem o pior clima que existe. Um dia está um calor de rachar e no outro quase neva.
Pois então. Na segunda da semana passada, nevou. Mentira minha, mas quase. (Aconteceram também outras coisas no fim de semana que me baixaram a resistência, com certeza.) Enfim... Fui à aula de Produção Editorial completamente bêbada de gripe na segunda, voltei pra casa chorando e enchendo o Paulo de chantagem-de-namorada-doente (e não fui atendida em nenhuma, diga-se de passagem e valha-se como manifesto). Na terça eu fui ao médico, que me receitou remédios, apesar de eu dizer e repetir que tudo o que eu precisava que ele receitasse que todas as pessoas deveriam me bajular durante toda a semana, caso contrário, eu morreria. Aí ele me deu também um atestado para não precisar ir a aula e passei a me senti um pouco melhor. De lá eu fui parar num lugar onde tiravam um raio x panorâmico da face (Pedido do otorrinolaringologista, quando fui lá reclamar de dores na minha articulação da mandíbula.) e acabei descobrindo que meu dente siso está completamente na horizontal e dentro do osso. Uau! Aí eu fui até o escritório mostrar aquilo pro Paulo, que finalmente respondeu positivamente a um estímulo. Ele achou tão incrivelmente absurdo quanto eu. Eu, hipocondríaca mor, estou me sentindo como se tivesse acabado de ganhar o Oscar dos problemas dentários. Neste dia mesmo fui pra casa do Jaime, almocei ¿aquele¿ salpicão, combinei com o Paulo dele me ligar antes de ir pra faculdade ( e, é claro, ele não me ligou). Fui até a faculdade encontrar com ele. Pedi para ir comigo encontrar os meninos, chantageei com a meu estado debilitado o quanto pude, ameacei atazanar a vida dele o quando eu conseguisse caso ele não fosse, mas ele NÃO foi. Então fui eu e obriguei ele a ir comigo pelo menos no ponto de ônibus, onde ele demorou um bocado e quase ia perdendo a prova surpresa que a professora dele resolver dar, assim, do nada. (Tá vendo, né? Vai brincando...) Voltei pro Jaime, encontrei com o Clóvis, a Bel e a Amanda, jogamos adedanha a noite inteira com o melão daquele jeito e depois vim embora com os meninos. Lá se foi o dia de entregar a parte escrita para a professora de ginástica rítmica, mas foi por ordens médicas, eu não podia fazer nada.
Achei que estaria bem no outro dia, mas acordei um arregaçada. E assim foi toda a semana, até que, na quinta, me lembraram que o trabalho da música era ¿pramanhã¿. À noite, o Marco Antônio e eu nos encontramos no refeitório, passamos todo o horário de aula lá e depois de enrolar bastante, fiquei louca e prometi que a música coma letra e tudo estaria na caixa de e-mails do Paulo até as 5 da manhã, para que ele pudesse bolar a bolacha do CD. Fui pra casa. Fiquei até as 2:30 conversando fiado na cozinha com minha prima e minha irmã. Fiz uma jarra de café e tomei ela todinha no glut-glut. AAAAAAAAAAAAAA!!!
Fiu pra salinha de computador com meu violão e às 5 da manhã a havia um samba de breque gigantesco sobre processo simbólico na caixa de e-mails do Paulo. E eu? Eu estava completamente doida de café. Fui deitar para tentar dormir, mas nada no mundo fazia meu cérebro parar de tocar a porcaria do samba. Às 6:30 minha mãe me achou no meio do corredor e fez um chá de erva cidreira pra mim. Rodei mais uma hora pela casa, falei umas bobagens, segundo o meu pai e finalmente dormi. Dormi das 7:30 às 10 da manhã e acordei ligadíssima. Putamerda. Foi a pior coisa que eu já inventei na vida. Não deve haver droga pior do que uma jarra de café às 2 da manhã, não é possível. Passei o dia ligadassa e completamente transtornada, afinal, além de tudo, eu também teria que apresentar o tal do samba. Ensaiei feito uma doida e, é claro, a música era impossível de cantar. Enfim... Quando deu a hora da apresentação, até Rivotril me ofereceram. Tomei água, tremi, chorei e finalmente apresentei. Que horror... As pessoas disseram que gostaram e tal... Fui embora pra casa do Paulo, e de lá, par minha casa. Apagar, rápido. No sábado a professora disse que o trabalho foi ¿show¿, mas que, infelizmente a nossa TRILHA tinha pra lá de 3 minutos e meio. É claro que eu exagerei, como sempre.
Nesta segunda, fiquei sabendo que o calendário (mais um trabalho...) que meu grupo produziu (leia-se EU produzi e o Henrique editou), ganhou o concurso de calendários. E o Lino torrou a minha cabeça assim que eu cheguei para que eu o apoiasse na escolha do prêmio. Ele queria um jantar no La Greppia para todos os componentes do grupo. Bla. Eu preferi ficar sem prêmio e quando falei isso, o Lino me mandou ir cagar e me chamou de chata. (É até engraçado...). Na terça eu fui a aula de Ginática Rítmica e ¿esqueci¿ de levar o trabalho escrito de novo. Aí eu mostrei o atestado médico para a falta da última aula e ela me deixou enviar o trabalho por e-mail, mas eu acabei esquecendo, de verdade, de pegar o e-mail dela. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.
Saí com o Clóvis da facul, buscamos a Bel, fomos pro Jaime e comemos como se não houvesse amanhã. Ai que dor.
Na quarta, acordei toda feliz por ser véspera de feriado, bolei um plano infalível para o eu e o Paulo podermos ir para o sítio e quem sabem, para Lavras Novas, peguei o telefone e quando comecei as primeiras palavras, o Paulo me interrompeu: ¿Antes que você marque qualquer coisa para o final de semana, vou te avisar que vou trabalhar todos os dias do feriado.¿ Pensei em homicídio, na hora. Mais tarde pensei em suicídio, em abandono do lar, em uma daquelas fugas loucas de carona para a Bahia... Viajei, viajei e acalmei.
Aí eu pensei, vai ser um daqueles feriados prolongados tranqüilos, em que eu finalmente conseguirei ficar sozinha com meu namorado em minha casa... Vai ser ótimo, pensei. Afinal, eu adoro ficar sozinha...Ôba.
Nós já estávamos no Titanic, naquele fim de tarde, quando o Paulo teve a redundante idéia: "Vamos brincar de Titanic?"
"Sim", eu disse e fomos para a ponta do navio, reproduzir a cena de Leonardo di Cáprio e Kate Winslet de braços abertos, se achando o máximo. Tava lindo... O vento, aquele mar... Aí o Titanic FREIOU bruscamente (!!!) e nós despencamos lá em baixo.
Fala sério!! Como é que o meu cérebro me produz uma cena dessas? Que frustração é essa, meu Deus? Me responde!!! E aí, Freud, como é que é isso? Fixação aonde?
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!
Se eu tivesse tido ao menos o bom senso de acordar depois deste momento imbecil, tudo bem... Uma hora eu ia acabar rindo sozinha e me divertindo com o desastre que é a minha mente fora do meu severo controle, mas nãããõoo, não podia ser apenas um sonho idiota e engraçado, do qual eu me esqueceria, provavelmente antes das 5 da manhã. Ele tinha que continuar...
Depois de passado o susto da queda livre, acostumamos com a água e começamos a curtir o momento, afinal tava calor e "Pra que pânico?", pensei, era como se estivéssemos andando de Banana Boat e ela tivesse parado para darmos um mergulho... De repente o Titanic (que havia FREIADO !!!) recomeçou a andar e o desespero e a gritaria foram terríveis. Grudamos aterrorizados na frente do navio e gritamos histérica e infrutiferamente até nossa exaustão, no entanto, fomos arrastados pelo oceano, sem maiores problemas durante um bom tempo, até se tornar relaxante... Fiquei tão cansada de gritar, que cochilei e sonhei com a Rita Lee (!!!). Mas quando comecei a abrir os olhos novamente, devagar e sem entender direito aonde eu estava e o que estava acontecendo, vi a cara de agonia do Paulo e comecei a escorregar para baixo. Nossas mãos se soltaram e entendemos, em um segundo, o que iria acontecer em seguida. Aí eu afundei... e acordei.
Neuradíssima na minha cama, depois de morrer no mar ao som de Celine Dion, fiquei puta tentando entender porque o meu cérebro me odeia!!!
Agora me diz: Pra quê isso tudo? O Titanic já não ia afundar de qualquer jeito? Não estaria de bom tamanho afundar com as pessoas? Não basta um desastre coletivo, tem que ser uma tragédia pessoal? Heim? Heim?
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! Vai se fudê, ô cabeça estragada!!!
Trabalho de Educação Física valendo 20 pontos, para amanhã.
Tenho que montar uma coreografia de Ginástica Ritmica individual para apresentar (para a turma inteira) amanhã à noite. A música deve ter de 1' : 15'' a 1' : 30'' , aí eu achei uma legal uma do Tchaicovsky (uma agitadinha e curtinha, da Suíte do Quebra Nozes), mas como ela só tinha 1 minuto de duração, emendei 20 segundos de uma batucada que eu achei em um CD de MPB e acho que ficou ótimo.
Ainda não consegui imaginar nenhum movimento que se adequasse. Nunca vi uma apresentação de ginástica ritmica e não faço idéia de como são os movimentos básicos, porque matei todas as aulas até a semana passada, por causa da confusão da minha vida.
Eu sei que são os movimentos naturais e tal poque a minha professora falou isso na aula passada, para tentar me ajudar. Como tenho que escolher um aparelho para usar, escolhi a corda. Então ela me disse: "Qual é a primeira idéia de movimento diante de uma corda?" -"Pular", eu disse. :P (dããã...)
Beleza. Este é um dos movimentos básicos do aparelho corda, além de girar, lançar e recuperar e bla bla bla...
Agora, quando começa o batucão (um pouco antes do Tchaicovsky), me dá uma vontade louca de sair sambando...
E aí? Que que eu faço? Será que sambar é movimento natural? Eu fiquei naturalmente com vontade de sambar... Então deve ser, né?
Tomara. Vou apostar no sambão e ver se fica bom.