Este é um blog de assuntos gerais e pessoais, revolta explícita, desejos irrepresentáveis, ódios demoníacos, pura euforia, arrepios, tpm, confabulações, autismos e afins...
(...)Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã(...)
Drummond
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
Maria Alice através do meu espelho
Era um barracão no fundo de um lote já carente de uma capina, tinha duas portas de correr de vidro colorido, um quarto à direita de quem entrava e uma sala com um sofá vermelho imediatamente em frente. Eu morava lá, mas mal conhecia o ambiente, tampouco sabia como era o resto da casa e do vizinho que dividia o lote. Estava escuro e chovia. Havia gente no quarto à direita assistindo tv, cuja luz iluminava a sala através da cortina que servia de porta. Entrei e fui ao sofá vermelho onde jazia, deitada de frente para o teto, uma adolescente loira e desconhecida, muito pálida, vestindo um casaquinho rosa. No chão, sobre um colchão ao lado do sofá, dormia alguém. Calcei luvas de látex e comecei a mexer na menina morta e isso me remeteu, na hora, aos cadáveres em que estudo na faculdade. Não tive medo e nem pena, agi naturalmente. Experimentei a textura do rosto, abri os dedos, enfiei a mão por dentro da blusa e ela não estava seccionada, como fazem com os cadáveres para serem estudados. Peguei no peito dela e percebi uma malha firme, como uma segunda pele grossa em volta de um enchimento de espuma densa , uma textura parecida com a de uma boneca da minha infância - lembrei. Então, sentei no sofá e pus sua cabeça em meu colo. Enfiei o dedo dentro de uma narina dela e depois a outra, examinei por algum tempo, depois enfiei o dedo dentro de sua boca e escorreguei pela gengiva até chegar no espaço atrás dos últimos dentes. Toquei firme onde nascem os sisos e vi bem de perto, como se eu mesma estivesse lá naquele espaço, que era muito pequeno. Eu pude sentir com o meu corpo todo que lá estava muito apertado, mesmo para um dente. Voltei a sentí-la só com o dedo e de repente percebi uma pulsação, que me assustou. Tirei rápido a mão de dentro da boca dela e vi que a luva cirúrgica havia se rasgado bem na ponta do dedo. Finalmente me preocupei com o estado em que poderia estar aquele corpo que não havia passado por nenhuma limpeza e não tinha sequer cheiro de formol e também com os males que poderia me trazer aquele contato. Me levantei para ir lavar as mãos, mas ela me deu outro sinal. Comecei, então, uma massagem cardíaca naquele peito de espuma e a menina foi se corando ao poucos, se mexendo e ao mesmo tempo, foi diminuindo de tamanho, até tornar a vida, só que com a forma de uma criança cuja aparência eu conhecia bem: era Maria Alice, minha luna de educação física do pré escolar. Enquanto isso acontecia, pisei na pessoa que dormia no chão a acordei. Era o Pedrinho ou o Paulo. Ora um, ora o outro. E ele viu a ressurreição e toda a transformação da menina, que então tinha um tamanho bem menor até que o de uma menina de 6 anos. Enrolei a criança bem acordada e sorridente em meu cobertor azul, que é o mesmo desde as épocas mais remotas da vida e entrei no quarto com a tv ligada para mostrá-la. Lá estava uma senhora morena, que tinha a aparência da mãe de uma colega minha, que não vejo há muito tempo e uma outra senhora bem mais velha, cujo rosto nem vi direito. Depois de conversar no quarto, saí com a menina nos braços, acompanhada do meu cachorro. Atravessei o lote com os matos molhados pela canela e desci uma rua escura e molhada de um bairro sombrio. Pulei umas poças, passei uma esquina e entrei em uma farmácia atrás de uma banca de revistas. Não sei o que fiz lá. Voltei rua acima e encontrei com um rapaz negro e sem camisa andando de bicicleta em zigue-zague, que dava tapas fortes nos fucinhos dos cachorros que passavam por ele e morria de rir. Tive medo que fizesse isso com o meu cachorro e o pus ao colo junto com a menina. Cheguei novamente ao lote, entrei no barração, fechei como pude as portas de vidro e o medo continuou, mas não sabia exatamente o que eu temia. Estava feliz com a menina e a tratava como se fosse a minha filha. E era. Não havia nada que indicasse o contrário. Comecei a analisar devagar e prazerosamente a criança até que, num estalo, fui tomada por um estranho sentimento de descoberta, um sentimento de surpresa e lucidez cada vez maior, que olhando para a menina percebi não só o quanto ela era parecida com a minha mãe, mas que era ela mesma, a minha mãe. E a sensação de realidade foi tão intensa, tão absoluta, que eu não tive outra opção, senão acordar.
era uma vez um cara que descobriu que deus não permite que niguém morra sem terminar o livro que está gostando de ler
comece já pela célula para adiantar e divida-a ao máximo. o que que sobra? é isso. isso é vivo? pra ser vivo tem que ser organismo? porque se for, não é. então. o que é ser vivo? e ser for, um organismo é vivo só de ser organismo? mesmo sendo constituído de matéria bruta organizada e em movimento? planeta é ser vivo? tudo é feito de matéria bruta em movimento regida por uma energia que permite a unidade. mas é só dividir mais se ficar difícil de achar. bola de boliche. divide com força e força a vista que dá. é matéria bruta e tem movimento (!!!) e não é quando tá rolando não, imbecil, é dos átomos. esquenta e esfria qualquer coisa procê vê se não mexe. então. eu tô tão viva quanto uma bola de sinuca, quanto uma maçã, um sorvete ou uma dormente de trilho de trem. o que muda é a interação. é a física. porque no fundo nem química existe, só física. estou no meio de uma aula de fundamentos de multimídia procurando uma imagem de maçã na internet. tenho que entregar uma prova hoje e nem sabia. minha colega entro na sala hoje e lascou um tapa na cara da outra colega. o barulho do tapa aconteceu igual ao barulho do tiro que eu ouvi a poucos metros do ouvido, há uns tempos, no meu bairro: eu ouvi, vi e não acreditei. e me chocou tanto quanto. barulho de tapa e tiro parecem com barulhos de tapas e tiros da tv. são bem assim "PÁ" e não condizem com a violência do momento. a dor daquela cara merecia um barulhão. ah, se. "um tapa a mais não faz diferença na minha vida" foi a resposta da colega que levou o corretivo à prefessora estarrecida e ainda se recuperando da interrupção da aula. uau. mas é assim mesmo. num mata não. aliás, nem tiro. que afinal de contas, é só um monte de matéria bruta em movimento regida por uma energia que permite a unidade.
"E você, Iara, vai tomar recuperação?" Agora a minha irmã tá na sala dando umas desculpas esfarrapadas pra minha mãe e tentando mudar de assunto fingindo que se lembrou de uma outra coisa incrível pra contar neste momento....Bla bla... São as duas irmãs que estão lá agora, o assunto já mudou totalmente e elas estão falando alto e entusiasmadas sobre várias coisas, menos da escola.... Vix... Minha mãe consegui voltar no assunto da escola. A Laura se exaltou... Bla bla bla...Vix... Vix..."é que meu medo de perder ultrapassou minha vontade de ganhar." - foi a frase da Laura. Heheheheh... Já passei por isso... É muito engraçado depois que passa... Estão falando sobre o vestibular da Laura. Meu Deus! A Laura já vai prestar vestibular! Que coisa louca! "Quer fazer na Uni, Laura?"- minha mãe perguntou. Que meda.
Aposto que elas vão ler isso aqui e deixar comentários ofensivos. Talvez não. Hehehe. Só porque eu falei.
Estou morrendo de cólica no corpo todo. Comer tem me causado dores novamente e não é uma metáfora de quem tá doida pra engatar num regime. Tô cheia das dô mesmo. Tomei tanto analgésico ontem, na escola, que fodi meu estômago. Heheh.. Falar nisso, foi muito engraçado. Eu nunca tinha passado mal de cólica dando aulas de educação física. Cada vez que eu me dobrava para aliviar a dor, vinha um aluno preocupadíssimo: "Professora, professora! O que você está sentindo?" e depois gritava: "Gente, calaboca!! A professora está passando mal!!!" Hahahahahaha!! Eles são umas graças.
Estou fedendo. Credo. Suei o dia inteiro debaixo das cobertas. Não tô com a menor vontade de ir pra faculdade pra assinar uma lista de chamada, mas tenho que ir. Principamente hoje, que por estar chovendo e por eu estar doendo, vou ganhar uma carona da minha mãe até lá. Mas tenho que tomar um banho primeiro e confesso que não há a menor motivação. Comecei a sentir que meus neurotransmissores estão se desligando gradativamente às cinco da tarde, quando eu resolvi assistir Malhação e aquilo me pareceu muito complexo.
Arroto. Pum. Heheheh. Legal. Hahahah. A aparência dos seres humanos não tem nada a ver com a realidade. né mesmo? hahaha. São nestes estados especiais que a gente se conhece de verdade. Ter que me entender com a matéria da qual sou feita me divertiu bastante hoje, apesar da dor. Hahah. Eu sou ridícula. Pum. Hahaha.
"Ô Amana, que hora que cê tá pensando em ir pra faculdade? Eu te levo até uma oito e meia, depois disso você esquece." Ai... A vida real me pegou. Vou ter que tomar um banho e me vestir para parecer algo melhor do lixo que eu estou neste momento para assinar uma lista de chamada. Oh céus.
o seu olhar lá fora
o seu olhar no céu
o seu olhar demora
o seu olhar no meu
o seu olhar seu olhar melhora
melhora o meu
onde a brasa mora
e devora o breu
onde a chuva molha
o que se escondeu
o seu olhar seu olhar melhora
melhora o meu
o seu olhar agora
o seu olhar nasceu
o seu olhar me olha
o seu olhar é seu
o seu olhar seu olhar melhora
melhora o meu
(Paulo Tatit / Arnaldo Antunes)
Sabadim foi mó beleza... Eu tava precisando demais de um samba pra acordar o espírito.
Foi quente que eu nem conto... Que calor... Derreteu tudo aqui dentro.
De repente a gente olha pra um mesmo lugar que sempre olha e descobre tanta coisa, né?
Acho que é quando a gente olha tentando sentir o cheiro.
Êêêê!!! 1º lugar na categoria "Material Promocional e Auto Promoção". A peça foi um calendário de 2006.
No final da premiação tinha um monte de caixas de esfirras do Habibs esperando a galera. Eu levei logo uma caixa, depois de comer como se não houvesse amanhã. Afinal, foi só um trofeuzim de prástico pro grupo todo, eu merecia pelo menos aquela caixa de esfirras. Hehehe... Nunca mais quero saber de bibsfirras do coração. Urgh...