Este blog não pretende absolutamente nada, não tem nenhum compromisso com a verdade, não é um passatempo, nunca foi um diário e nem parte de estudos ou reflexões pessoais, nada disso. Aliás, ele não tem a menor razão de existir, mas existe mesmo assim, como a maioria das coisas.
Eu fico passada de ver quanta gente doida tem aqui em Portugal. Será que no Brasil também é assim, só que eu nunca reparei? Todos os dias, pelo menos uma vez por dia, seja lá onde for, eu tenho um bom motivo e o desejo quase incontrolável de citar a fala da Alice (no país das maravilhas): "Mas eu não quero me encontrar com gente louca!", com uma entonação e um estado de humor diferentes para cada situação. Eu AMO os loucos daqui, na verdade. Aliás, eles são o que há de melhor. Tem um que é o meu preferido, lógico. Ele é a cara do meu vô Zizi, parece mesmo da família. Todos os dias ele me ensina alguma coisa sobre cavalos puro-sangue, éguas parideiras, posturas corretas para montaria, tipos de trote, bois, vacas, novilhos e tal... Ou melhor, tenta ensinar, já que a cada dia ele adota uma nacionalidade e uma lingua diferentes e eu começo mesmo a acreditar quando ele diz que não pode evitar que isso aconteça. Nesta última semana ele oscilou só entre o português e o espanhol, então deu pra apanhar muita coisa. Entre as nossos vários assuntos, falamos da roca de fiar. Ele perguntou se eu sabia o que era e eu disse que sim, depois fiz num guardanapo o desenho de uma roca, da forma como eu me lembrava de uma que tinha na casa da minha vó. Ele agradeceu profundamente pelo desenho e foi embora emocionadíssimo, depois voltou para me dizer tudo o que pensou sobre mim enquanto olhava o desenho em casa. Eu presto sempre muita atenção no que ele diz, pois gosto que ele goste de falar comigo e tenho medo dele deixar de aparecer de repente. No mês passado, ele entrou pela porta do café, apontou o dedo pra mim e exclamou bem alto: "Gilberto Gil!!". Parecia muito importante, mas como estava ocupada e o café lotado, não pude dar muita atenção. Quando vi ele já tinha ido embora e passou duas semanas sem dar as caras. No próximo dia em que o vi depois disso, ele entrou calado, tomou café com uma cara de ressentimento, esteve assim por uns 15 minutos e depois e me perguntou, sem me cumprimentar: "Então? Você conhece Vinícuis de Moraes?" e eu toda feliz e empolgada, achando que tudo ia voltar ao normal (se é que é possível nesta situação), respondi: "Sim, conheço!!! O senhor também gosta das músicas dele?", ao que ele simplesmente respondeu: "Não", deu as costas e foi embora. E eu fiquei uma carona de tacho. hehehe... Nessas horas eu até olho em volta pra ver se não tem nenhum gato em algum canto rindo de mim.